Sinceramente, nunca utilizei tanto o serviço do SUS (Sistema Único de Saúde) como nesses últimos dias. Esses dias precisei de um dermatologista, e o clínico que atende aqui no Centro de Saúde da cidade em que moro me encaminhou para a Secretaria de Saúde e me requisitou uma ultrasonografia. Deixei a solicitação, conforme o pedido médico e me falaram que eu aguardasse a minha Agente de Saúde, que ela avisaria quando a consulta fosse agendada, pois no município havia carência de alguns especialistas.
Fui para casa e, antes do final do mês, a agente de saúde da minha área chegou trazendo a marcação da consulta: era para a capital do Estado em que moro. Até aí, tudo bem. Um dia antes eu teria que confirmar a viagem que seria feita pelo carro que a Secretaria de Saúde disponibiliza para os pacientes do município.
Chegou o dia da viagem. Saí de casa às 02:55 para uma consulta que seria às 13h desse mesmo dia. A viagem durou cerca de 3 horas; ainda houve uma pausa para lanche, fazer as necessidades, tomar uma água... Tudo nublado, com neblina pela estrada e alguns pingos de chuva... Muito frio!
Chegando ao local da consulta, me deparei com a realidade que muitos brasileiros vivem: a demanda é grande e o atendimento é deficiente, insatisfatório e indigno, decerto algumas pessoas se sujeitem até a sentar-se pelos chãos e calçadas para descansar um pouco ( incluindo pessoas idosas, gestantes e com crianças de colo- que têm direito a um atendimento preferencial... Se quisessem lanchar ou tomar água, tinha uns carrinhos na frente vendendo Mungunzá, Tapioca, Cachorro-quente, coxinhas, enroladinhos e outros alimentos que ficavam ao Sol, expostos ao vento e à chuva. Era deplorável a situação, mas muitos riam, comiam e bebiam daquilo que estava sendo oferecido ali na frente... É certo que saciem a fome, mas um lugar para se acomodarem, aguardarem o atendimento, e alimentos dignos para essas pessoas deveriam ao menos ter.
O prédio dessa unidade de saúde era deplorável: paredes sujas, pinturas desgastadas, mofo...
Achei até que ele fosse demolir de tanta gente que adentrou lá.
Era umas 6:30 quando os funcionários desse “Centro de Saúde”começaram a chegar- se é que posso chamar de “Centro que promove a Saúde”. A funcionária, de meia idade, já chegou estressada, gritando pros quatro cantos que alguns médicos entraram de férias – pouco menos da metade dos que ali estavam começaram a resmungar e a tumultuar o local. Ninguém sabia mais onde existia fila, quem deveria ser atendido logo, quem deveria aguardar. A minha vontade era sair dali e já não fazia mais questão de ser uma das primeiras, porque percebi que lá havia pessoas com mais necessidades que eu.
Depois que a atendente do Centro mandou a maioria dos pacientes para o 1º andar do prédio, eu perguntei se a médica que estava pra me atender estava de férias. Confirmou que ela atenderia e que eu fosse para o guichê do Prontuário, já que eu me consultaria naquela Unidade de Saúde pela primeira vez.
Enfrentei uma fila de mais de 50 pessoas. Quando chegou a minha vez, a atendente do guichê me falou só abriria prontuário para mim 13 horas – e eram 9:00.
Fiquei revoltada porque ninguém ali soube informar direito a que horas teria que abrir prontuário, mas eu sabia o horário de atendimento da médica.
Resolvi, então, dar umas voltas pelo Centro da nossa querida capital.
Quantas coisas lindas, quanto luxo e quanta miséria...
O Mercado da Produção e seus arredores, então, nem se fala... é porque quem tem mais condições faz suas compras de verduras, frutas e legumes num Supermercado, numa quitanda... Quem não pode, faz em qualquer lugar, apanha do chão e até é sujeito a se contaminar com determinados alimentos que são manipulados de forma errada...
Retornei ao Centro às 11:00, com receio de perder o horário, porque queria retornar para casa o mais breve possível. Estava exausta.
Entrei numa fila de mais ou menos 30 pessoas e outras 30 atrás de mim...
A atendente do guichê mal sabia utilizar o computador: catava as letras no teclado para fazer o cadastro do pessoal... Eu tava quase perdendo a paciência. Tudo bem que pode não ter chegado a hora dessa senhora se aposentar, mas ela não tinha condições de assumir o posto que estava.
Comentei com um rapaz da fila sobre isso e percebemos um outro fato curioso: a falta de informação que todas elas tinham. Quando terminei de fazer meu prontuário, a atendente me informou que eu subisse pro primeiro andar e aguardasse.
Quando subi, falei com outra atendente que estava num balcão de recepção. Ela me falou que minha consulta seria embaixo, no térreo. Desci, e me falaram que eu teria que aguardar lá em cima, porque iriam chamar pela ordem de chegada (não me entregaram nenhuma senha e eu desconhecia essa ordem, pois na fila em que eu estava faziam prontuário para as várias especialidades, e a minha era Dermatologia).
Retornei ao primeiro andar e atendente outra vez me advertiu que a médica me atenderia embaixo. Perguntei em que local, e dessa vez ela me explicou qual a sala e a cor das cadeiras da sala de espera. Pedi ao segurança pra me levar até lá- logo cheguei, descendo, outra vez!
Fiquei aguardando. A médica chegou. Entrou em sua sala. A sua atendente falou-me que chamaria os pacientes por ordem de chegada. Já era quase 14h...
Percebi um certo movimento na sala onde estava a médica e perguntei à sua atendente se já estava atendendo. Ela me confirmou, e pediu pra que eu aguardasse na sala de espera, que não podia ficar no corredor. Voltei pro meu lugarzinho, com toda educação.
Novo fluxo na sala da médica. Levantei-me outra vez e pergunte-lhe qual seria a minha ordem. Ela falou “sétima”. Aguardei.
Pouco instante já se fazia uma fila interminável no dito corredor. Fui lá novamente, e conversei com os demais pacientes, perguntei o que estava havendo, se a médica estava atendendo. Alguns disseram que a atendente não estava chamando; estava colocando quem ela queria. Novo tumulto. Um barulho ensurdecedor nesse corredor, com xingamentos, reclamações, murmúrios... A atendente veio até o corredor pedir silêncio e organização e virou motivo de reclamação sua advertência.
Pedi-lhe para ver novamente a minha ordem. Ela disse que eu seria depois de... (e saiu contando as pessoas que já estavam na fila, sem estarem na lista conforme a ordem, e me colocou pra ser a décima quinta. Dessa vez quem reclamou fui eu.
Ela reviu a folha e tentou corrigir, mas o furdunço tinha iniciado e rendia há tempo...
Quando consegui ser atendida já era 16:30. Saí de lá com um tremendo mal estar, com fome, sede e vontade de estar em casa.
Que lugar é esse? Um lugar que promove saúde e promove contrariedades! Um lugar que deve-se ter atenção em especial para quem precisa de atendimento médico.
Nossa! Por que tanta injustiça no mundo? E é porque fazem inúmeras propagandas afirmando que o SUS está ótimo, que houve melhorias... De quê? De calor humano? Na verdade nem os funcionários daquele local têm culpa da precariedade de informações e bom atendimento. Eles também precisam, como nós... Dessa vez eu senti na pele, como fazia o Gugu Liberato em um de seus programas!
E a minha situação continua: uma alergia danada que não posso utilizar cosméticos, material de limpeza nem perfume, com irritação nas mãos e nos pés. Um ressecamento tão sério, que é preciso eu me esquivar dos afazeres de casa para ter algum alívio. A médica só passou um hidratante de manipulação e falou que pra retorno teria o mesmo procedimento do início : consulta ao clínico, encaminhamento para especialista, Secretaria de Saúde etc,etc,etc... E o resto vocês já sabem. Quando eu for à revisão, não contarei detalhes, aqui...(Risos!)Vocês irão imaginar o meu sacrifício, novamente, pra pagar os meus pecados! (Risos!)