UMA REFLEXÃO E TANTO...
Arrumando os livros na escola em que trabalho, deparei-me com uma obra que me chamou a atenção: “Eles que não se amavam”, de Celso Sisto (Editora Edigraf). Fascinou-me o título da obra como também o seu conteúdo, onde Sisto descreve as indiferenças e intolerâncias para com o próximo. Isso fez-me refletir sobre o egocentrismo e vaidade humanos elevados pela ambição, vaidade e prazeres. Um mundo que desde o seu início é assim, e cada vez mais com as invenções humanas não se utilizam dessas ferramentas em busca da construção do bem, como sonhara John Lennon, Martin Luther King , Gandhi e tantos outros que pregavam a paz.
RESUMO DO LIVRO
“Não amar é muito mais fácil. Parece incrível, mas é verdade. A gente lê nos livros o tempo todo como amar é bonito, como amar é maravilhoso, como amar deixa a gente mais feliz etc. etc., mas parece que as pessoas não conseguem aprender nada sobre o amor.
E também parece que não amar os outros a gente não precisa aprender. Isso é mais comum do que a gente pensa! Basta ver só: homens, mulheres e crianças que odeiam outros homens, mulheres e crianças porque fazem parte de um outro povo, têm uma outra religião, são mais pretos ou mais brancos, mais pobres ou mais ricos, ou então apenas vivem do outro lado da rua.
Esse é o mundo do jornal que passa toda noite na televisão. Mas o mundo pode ser diferente, os livros podem mostrar isso também e tá na hora de a gente ler os livros com mais atenção. Os meninos desta história conseguiram descobrir isso e aí escreveram um final feliz. Como nas novelas que passam depois do jornal toda noite na televisão.
Amar o que é igual é fácil. Difícil é amar o diferente!”
Um livro fascinante, que fala do abismo entre duas crianças, Alberto e Bernardo, pelas suas diversas diferenças e a influência desse sentimento no meio em que cada um vivia, o que contagiava a rivalidade entre membros da família e amigos.
“Então, quem era amigo de um
Não podia ser amigo do outro
Quem conversava com um
Não podia nem olhar para o outro
Quem gostava de um
Tinha que odiar o outro (...)” (p.10)
“Não gostavam de como os outros comiam (...)
Não gostavam do que os outros faziam (...)
Não gostavam do que os outros vestiam (...)
Não gostavam do que os outros acreditavam (...)
Não gostavam nem de como os outros respiravam, e por isso brgavam.
E cada vez mais o abismo entre eles aumentava.” (p.15-16)
O desfecho de tanta insatisfação um com o outro era uma dúvida entre ambos.
Um dia fizeram um acordo e, “Para mudar o sentido, para voltar a ser grande, simples e humano, para começar a querer bem necessário era – mesmo para os que tanto sabem- aprender a apascentar as ânsias, acariciar os ventos, a amar o bisonho, a brindar a luz, a beijar os dias, a beliscar as tristezas.” (p.27)
Só era começar!
“Paz e verdade , enverga o tempo e vem assinada pelo coração.” (p. 31)
SISTO, Celso.Eles que não se amavam.
Ilustração: André Neves. Ed. Edigraf.
Rio de Janeiro, 2005.

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