Assisti esses dias ao Programa “Quem Ama Educa!” na Rede Vida, pelo escritor e psiquiatra Içami Tiba, e pude refletir sobre a desmotivação nas escolas nos dias atuais.
Tiba afirma que ninguém sente motivação pelo que não se conhece, que ninguém procura o que nunca experimentou, visto que o que já foi experimentado, reflete –se na vida humana, seja negativa ou positivamente, e que quando o aluno não quer aprender não é somente problema do aluno, mas de todo o sistema no qual ele está inserido. Se por um lado, discute-se muito sobre valorização de professor, melhores salários, melhores condições de trabalho, qualificação profissional, por outro lado esquece-se do que mais deve ser analisado e revisto no meio em que se vive: o foco, o objetivo do estudo, em si.
Muitas crianças não se motivam a estudar para ter um futuro promissor porque não têm noção de futuro e, por outro lado, os jovens se mostram desesperançados porque acham que o futuro é isso mesmo, que é o que eles já estão vivendo.
Todos sabem que para garantir uma boa profissão e conquistar o mercado de trabalho exige-se estudo, qualificação. Muitos jovens concluem o Ensino Médio, ingressam numa formação superior e não encontram ofertas de emprego. Cadê a motivação? O foco se perde porque a realidade distorce totalmente o que se espera de anos de estudo e dedicação a uma profissão.
Não é que eu esteja aqui desmotivando quem estuda, quem pensa nos estudos, quem quer conseguir um bom emprego. Mas é que sinto na pele essa desmotivação tão falada, onde todos se desgastam- digo, todos os que realmente querem mudança nesse sentido- em busca de qualidade no ensino, em busca de uma sociedade mais humana.
Neste mês de outubro, recordo que desde os meus 15 anos que trabalho com educação e que de lá prá cá muita coisa mudou. A motivação e o repeito para com o professor se perdeu no espaço. Lendo a Revista Nova Escola do mês de Setembro, na coluna Pense Nisso, do Luis Carlos de Menezes, onde ele faz uma reflexão sobre a desmotivação em sala de aula, alertando as escolas no sentido de abraçar a causa dos alunos que apresentam tais sintomas, procurando a família e, se esta se omitir, a escola deve tomar as rédeas e assumir o seu papel na formação destes alunos.
Não faz muito tempo que ouvi um pai de família conversando com sua filha, quando esta soltou um arroto. Todos os que estavam em volta olharam a menina. Uns com ar de reprovação, mas a maioria caiu na gargalhada. A menina se envaideceu e soltou outro. O pai dela falou simplesmente: “Oh, menina, num aprendeu a se comportar na escola, não, foi?”
Aquilo ficou na minha cabeça. Por que aquele pai não corrigiu a filha com bons modos ao invés de citar a escola como a única responsável pela sua educação. Mas todos sabem que a educação familiar repercute em várias esferas da vida social das pessoas e essa pequena cena deixa bem claro que muitos pais parecem não saber cuidar dos seus filhos ou se omitem e sobrecarregam a escola.
Se for me deter a detalhes dessa sociedade que dita as normas e somos passivos às suas leis, discutiremos muito sobre variados assuntos que interferem nesse ponto. Porém, desabafo aqui a minha angústia enquanto docente, porque hoje já não é possível educar quando o mundo lá fora é bem mais interessante do que a sala de aula e os conteúdos nela apresentados. Há quem critique que o que falta é a didática, mas muito mais do que isso, o professor deve desenvolver a afetividade com a turma, conquistar a todos para que sejam bons discípulos. Enquanto isso vamos empurrando tantas coisas com a barriga, porque muita gente vê e fica calado, faz de conta que é mudo, como diz a música de Zé Ramalho.

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